Gerações Encontram-se para Celebrar o Regresso da Equipa Benfiquista de Voleibol Feminino

O Sport Lisboa e Benfica, alinhando-se com a sua política de diversidade, apostou, mais uma vez, no desporto feminino. O clube vai voltar a contar com uma equipa feminina na modalidade de voleibol. Nuno Brites foi encarregue de servir como treinador.

Para marcar o começo de uma nova era, algumas das jogadoras da geração mais icónica do voleibol feminino em Portugal reuniram-se com o novo plantel de jovens talentosas que irá representar as águias.

Madalena Canha, Margarida Leite, Teresa Fernandes e Zé Maia estiveram à conversa com as novas apostas da modalidade, numa autêntica troca de histórias e experiências entre gerações.

As quatro ex-atletas fizeram parte da histórica formação conhecida como “as Marias do Benfica”, que conquistou nove campeonatos nacionais de voleibol consecutivos entre as temporadas de 1966/67 e 1974/75.

As Marias do Benfica

Em 1951, foi inaugurada a secção feminina de voleibol do Sport Lisboa e Benfica. Ao longo da década seguinte, a equipa e os treinadores foram ganhando capacidade física, técnica e competitiva. O objetivo era estruturar uma equipa campeã, o que veio a concretizar-se de forma bem mais gloriosa do que se antecipava.

Na época de 1963/64, deu-se a conquista do primeiro título, o Campeonato de Lisboa. Na altura, o então treinador Graciano Ferreira, que orientava o plantel há 11 anos e foi uma parte imprescindível do progresso das jogadoras, dizia acreditar que o grupo estava finalmente equipado com as armas necessárias para derrotar qualquer oponente.

Na temporada de 1966/67, depois de duas épocas em que os títulos lhes escaparam, as encarnadas iniciaram um ciclo lendário de triunfos nacionais. A hegemonia das benfiquistas em relação às adversárias era absolutamente inquestionável. Nessa temporada, perderam somente uma partida.

As Marias do Benfica, designação carinhosa que, entretanto, ganharam devido a várias das atletas terem o nome “Maria”, reclamaram todos os oito campeonatos seguintes, somando assim nove títulos nacionais consecutivos. Como se não bastasse, em 1972/73 e 1973/74, as águias venceram as duas primeiras edições da Taça de Portugal de voleibol feminino.

Não nos esqueçamos de que, à época, construir uma carreira assente exclusivamente no desporto era difícil, tanto para os homens, como, mais ainda, para as mulheres. Os atletas viam-se obrigados a conjugar o seu sonho com outras atividades laborais.

Das Marias do Benfica faziam parte médicas, professoras e profissionais das áreas das ciências e das letras. Algumas delas eram casadas e tinham filhos. Sendo assim, é ainda mais notório o tempo e o esforço que estas mulheres dedicavam à sua equipa, sem descurar os seus empregos e a sua vida familiar.

Não há dúvidas de que o excelente exemplo destas atletas é uma poderosa força motivadora para a nova equipa sénior de voleibol feminino do Benfica.

Para recomeçar, a formação lisboeta vai competir no terceiro escalão do país. A meta é subir rapidamente à segunda divisão.